Resenha 01.
Agosto 31, 2007
Terreno Baldio

“Terreno Baldio – 1976
(Rock Symphony)
08 faixas – 36:48 ”
Nota: 9,0”
Já se passaram 31 anos desde o lançamento do álbum de estréia do Terreno Baldio, formado em 1974. O lendário grupo paulista era formado por João Kurk, vocalista, Roberto Lazzarini, tecladista que dividiu estúdios e palcos com nomes consagrados tais como: Made in Brazil, Ronnie Von e Pete Dunaway, Joaquim Corrêa na bateria, João Ascenção, ex baxista do Fush e completando a formação, Mozart Mello como segundo vocal e guitarrista.
Para os ouvintes familiares ao rock progressivo, o primeiro impacto deste disco se dá pela excelência vocal de João Kurk, rara de se ouvir entre os progressistas brasileiros, com sua característica entonação, utilizando agudos surpreendentes, que associados a uma estrutura musical muitas vezes densa, nunca antes experimentada no Brasil, fez do álbum um grande sucesso ao vivo, quando se apresentaram no famoso festival Banana Progressiva. Receberam o mérito de crítica em pesquisas realizadas pela Folha de São Paulo como os melhores do ano de 76.
Faziam uma música conceitual, enfatizando a liberdade e a natureza. Na faixa título do álbum pode-se ouvir com total angústia e deleite o seguinte trecho:
“A solidão a todos vem; Pode ser, você se sinta esmagar; É mais difícil que morrer; Você vê que o terreno lá está; Guardando o que sobrou de paz; No terreno baldio você pode gritar”. Uma menção à ditadura e à cidade de São Paulo, que já era sufocante e poluída na época.
Naquela ocasião João Ascenção saiu do grupo, participando em seguida do retorno dos Secos e Molhados em 78. Rodolfo Braga do Joelho de Porco o substituiu. O som da banda talvez soasse sofisticado ou moderno demais para as emissoras de rádio.
O mercado estava se fechando para o grupo, que chegou a gravar um álbum envolvendo o folclore nacional, chamado “Além das lendas brasileiras”, registrando ainda em 77 uma versão em inglês do primeiro vinil. A banda encerrou suas atividades em meados de 94.
Hoje Lazzarini trabalha como produtor, tendo gravado o disco Hips of Tradition de Tom Zé e arranjado músicas para nomes como Sá & Guarabira.
João Kurk participou do Egydio Conde (ex Moto Perpétuo e Som Nosso) sem gravar disco. Ele canta atualmente na banda Rockover de SP, tendo gravado excelentes álbuns covers de bandas como Queen e Supertramp (não é para qualquer um).
Mello é um dos mais consagrados autodidatas brasileiros e sem dúvida um dos maiores guitarristas de nossa história. Em suma, o Terreno nos faz lembrar do grupo inglês Gentle Giant. Esta observação é um tanto infeliz, mas fica registrada apenas como vaga referência, pois o som do Terreno é único e magistral.
Procure por eles no Youtube e pelo Kurk cantando Suspicious Minds do Elvis.
Muito legal (banda Duo Byrds)
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